Archive for the ‘Filmes e Séries’ Category

Pequenas mentiras entre amigos

Posted: 22 de Agosto de 2011 in Filmes e Séries

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ESTREIA: Já nas salas

TÍTULO ORIGINAL: Les Petits Mouchoirs

REALIZAÇÃO: Guillaume Canet

ELENCO: François Cluzet, Marion Cotillard, Benoit Magimel,Jean Dujardin, Gilles Lellouchc

DURAÇÃO: 154 min.

ENREDO: Um grupo de amigos de longa data é confrontado com um evento traumático que acontece a um deles. Com as férias à porta, decidem manter os planos de ir para a casa de férias de um membro do grupo à espera da recuperação do amigo. Só que esta vai fazê-los ingressar numa descoberta interior superiora distância que vai até à casa onde se reúnem todos os anos.

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O jovem actor e realizador Guillaume Canet oferece-nos um filme que nos vai tocar a todos de forma singular. Com momentos geniais de humor que nos conseguem levar às lágrimas, Pequenas Mentiras Entre Amigos não deixa de ser igualmente um filme muito intenso sobre as relações; sobre o amor, a amizade, a decepção, a união; e sobretudo as "pequenas mentiras" que qualquer grupo de amigos consegue sempre esconder dos restantes elementos. Com um argumento que pode não parecer muito original, o realizador consegue através de um elenco fabuloso e personagens muito bem construídas levar-nos ao nosso interior, à procura das nossas próprias "mentiras", e todos conseguirão identificar os padrões de amigos neste grupo, na vida real. Quem não tem o amigo que vai à loucura com os pequenos barulhos que ouve em casa ou que está sempre pronto a cumprir uma agenda em tempo de férias, nem que isso inclua andar com o cortador de relva a fazer barulho às 8h da manhã; quem não conhece o engatatão que não se quer comprometer até encontrar alguém que afinal vale a pena mas só depois de ela o deixar ou então aquele que foi deixado

e que passa a vida obcecado com as SMS da "ex" que entretanto se vai casar com outro. Também não é estranha certamente a história da amiga que passa a vida a fugir à responsabilidade de assentar ou aquela que é viciada em comida biológica e que toma conta do marido como se fosse um filho. E o casal infeliz? Tudo isto lhe diz alguma coisa, não? Com todos estes ingredientes, uma realização que nos leva para junto deste grupo, mas sem ser intrusiva, uma luz que não nos deixa esquecer que estamos na Europa, e uma banda sonora caprichada – David Bowie, Janis Joplin, Ben Harper, Anthony and The Johnsons, entre outros – este filme faz-nos rir (muito), mas também chama as lágrimas (sim, mesmo os mais resistentes), porque é uma história que nos traz recordações, que nos faz pensar nas nossas atitudes para com os que nos são próximos e no real significado da amizade. A não perder!

VEREDICTO: As relações entre amigos protagonizam este filme de Canet que nos leva às lágrimas, pelo humor e pela intensidade emocional. ★★★★

Empire – Agosto 2011

Cloverfield (2008)

Posted: 6 de Junho de 2011 in Filmes e Séries

• T.P.: NOME DE CÓDIGO: CLOVERFIELD • 85 MIN. • REALIZAÇÃO: MATT REEVES

É extremamente raro no cinema moderno ver um filme que nos pareça ser genuinamente novo. Não só excelente, mas algo que nunca tenhamos visto.
Nas últimas décadas na história do cinema, Pulp Fiction, Matrix e Parque Jurássico fizeram isso mesmo, agitando géneros tão antigos quanto a película e tornando-os em futuros modelos.
Cloverfield poderá vir a ser igualmente venerado e imitado. É um filme que segue as pisadas bem gastas de muitos dos filmes antigos de monstros, mas fá-lo como se fosse território virgem.
E se o virmos bem, a criação do produtor J. J. Abrams não poderia ter uma história mais simples. Um monstro grande ataca uma cidade, e um tipo (Michael Stahl-David) e os seus amigos (T. J. Milter, Lizzy Caplan e Jéssica Lucas) partem em busca da sua namorada para depois saírem da cidade antes de serem completamente esmagados.
Esta ideia existe no cinema desde que o homem descobriu a alquimia de um fato de borracha e os modelos de uma aldeia, mas não terá sido feito com tanto terror certamente.
De certeza que há quem não goste, mas o cinema imperdivel não tem só a ver com diálogo melífluo ou enriquecimento da mente. Pode vir também de uma experiência sensorial inimitável, que só se pode sentir numa sala escura em frente a um enorme ecrã.
Garanto que nunca viveu nada como Cloverfield. Uma experiência alucinante que compensa imenso; este é o prazer cinemático na sua forma mais pura.

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DOGVILLE (2003)

Posted: 6 de Junho de 2011 in Filmes e Séries

• T.P.: DOGVILLE • 178 MIN. • REALIZAÇÃO: LARS VON TRIER

Esqueça os cenários detalhados de O Senhor dos Anéis ou a réplica à escala da Manhattan do século XIX em Gangs de Nova Iorque. Tudo o que precisa para reconstruir uma cidade num canto remoto da América na era da Depressão são alguns traços brancos num chão preto – mas apenas se possuir a ousadia artística de Lars von Trier.
Os detratores de Von Trier – e há muitos – contestarão que Dogville não passa de teatro filmado. Num nível muito básico, talvez o seja, mas a câmara de vídeo digital de Anthony Dod Mantle não se limita a documentar uma atuação. Ela invade impacientemente e intrepidamente este local e estas vidas. Os seus grandes planos – captando emoções-chave que tremulam nos rostos das personagens – são cruciais para descrever o arco moral da história. Isto é algo que só pode ser feito cinematicamente, uma intensidade impossível de transparecer em qualquer outro sítio, nem mesmo na fila da frente de um teatro.
Quando uma violação ocorre num ponto importante da história, nem os espetadores nem os residentes de Dogville – descartando-se da sua culpa no conforto dos seus lares – têm onde se esconder da terrível verdade. Tudo e todos estão expostos pelo que realmente são. Está à vontade para declarar que o filme de von Trier é teatro e não cinema. Mas pelo menos reconheça que, assim sendo, Dogville é uma peça brilhante, que revela uma profunda compreensão do que os seres humanos realmente são.

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  • Qual é a sensação de ser o homem mais perigoso do Rio de Janeiro?

Joaquim de Almeida: Estava a filmar o República cá em Portugal durante o ano passado e veio o convite; mandaram-me o guião. Estes guiões não deixam adivinhar muito do que se vai passar no filme. Eu não tinha visto os outros, mas sabia perfeitamente que conhecia e fui alugar o 1 e o 4 e vi-os. Tenho uma amiga que é presidente da Universal que me disse num jantar que o Justin Lin lhe tinha perguntado: “Olha, eu tenho um ator que eu gostava que fizesse o papel mas não lhe posso pedir para fazer audição”, e era eu! E ela respondeu-lhe: “Eu até o conheço pessoalmente, acho que fica muito bem.” Além disso é difícil dizer que não a um filme de um estúdio deste tamanho que é visto por milhões de pessoas.

  • Mas esteve mesmo no Brasil, na favela?

Joaquim de Almeida: Não. No Brasil só se filmaram quatro dias. Aquela grande perseguição na favela é feita em Porto Rico. Eles depois aumentam no ecrã e o que é céu, metem lá a favela brasileira. Tudo aquilo é falso. Aquelas avenidas são todas em Porto Rico; aquela ponte é igual à de Niterói, mas não é Niterói. Foi tudo feito por computador. E ninguém consegue dizer que aquilo não é o Rio de Janeiro. Por isso, foram todos enganados! (risos) Mas por se passar no Rio de Janeiro, eles tinham atores que falavam mal e tiveram que aprender durante três dias para eles próprios se dobrarem novamente. Há uns que não falam mesmo. Isto é mesmo à americana. (risos) Ao menos foram buscar-me a mim que falava mesmo português (risos).

  • Mais um papel de vilão…

Joaquim de Almeida: Eu comecei por fazer vilões e propunham-me sempre fazer de vilão até que chegou a uma altura que eu disse: já não aceito mais papéis de vilões. E com isso só fiz uma coisa: perdi muito dinheiro! (risos) Porque estes filmes grandes são os filmes que pagam bem, que me dão a possibilidade de poder fazer depois outros filmes, portanto, acabei por aceitá-lo. Além disso, nos EUA eles têm dois heróis nos filmes: o que é o bom e o que é o mau. E as pessoas também gostam muito dos maus da fita! E no fim divertímo-nos mesmo muito. Para já, são umas férias muito bem pagas porque tínhamos de estar muito bronzeados, por isso podíamos ir para a praia. Estávamos num hotel em Porto Rico em frente à praia e foi um mês e meio nisso; tinha carro, e em porto Rico era um herói porque gostavam muito de mim por ser o vilão do filme, por isso convidavam-me para andar de barco; e ainda nos divertimos a ir ver os stunts fantásticos que eles faziam com os carros a voar…

  • E teve oportunidade de conduzir algum?

Joaquim de Almeida: Não, (risos) assisti. Conduzir não! Os seguros não permitem. Mas só no meu hotel estavam lá 68 duplos e alguns magoaram-se a sério. Houve um que se magoou na cena à séria na cena final. Partiu-se todo.

  • Teve alguma coisa a ver com a deixa dos portugueses?

Joaquim de Almeida: Tive muito a ver. Porque eu disse que não fazia a cena como estava escrita porque estava incorreta historicamente. Estávamos a filmar outra cena e pedi ao Justin para conversarmos e ele disse-me que eu tinha razão e que ia emendar isso, mas que assim a cena tinha de ficar maior e ele não queria a cena tão grande. E eu disse: “Maior ou não, tem que estar correta.” E assim foi!

  • E aquela palmada…

Joaquim de Almeida:  (risos) Foi engraçado porque o marido da atriz estava lá a assistir nesse dia e veio ter comigo e disse-me: “Dou-te 200 dólares se lhe deres uma palmada a sério, porque ela hoje de manhã irritou-me”, e rimo-nos muito sobre isso! Ela é muito simpática. Ela é israelita e foi Miss Israel, demo-nos muito bem. Mas naquele dia faziam 45 graus e eu vestido de fato. As meninas estavam só de biquíni e queixavam-se do calor que fazia e eu só dizia: “Eh pá, não me digam nada.” Eu suava porque estava com fato escuro; depois vi os que faziam de meus guarda-costas, que suavam pelo casaco. O suor saia já através do casaco. No cinema não se notava nada, mas sabemo-lo nós que estávamos ali a sofrer (risos).

  • Alguma história engraçada?

Joaquim de Almeida: Eles mandaram-nos vir um mês e meio antes para fazer uma leitura. Eu achei estranho fazer uma leitura num filme de ação, mas tudo bem. E há uma cena na favela em que o Dwayne Johnson luta com o Vin Diesel; no cinema engana porque eles parecem do mesmo tamanho, parecem os dois grandes, mas na realidade o Dwayne é muito maior do que o Diesel. Então, quando estávamos a fazer a leitura, o Vin Diesel diz: “Ah, e tal, eu depois faço-te isto e aquilo e etc…” Nisto, o Dwayne Johnson olhou para ele e disse: “You gotta be kidding me – “Deves estar a brincar!” (risos). E rimo-nos todos à gargalhada, porque na realidade o Dwayne é muito maior. Tem um metro e 90 e tal, enquanto o Vin Diesel tem 1,80 m. Estamos a falar de uma diferença de 10 cm e de muito arcaboiço mas, felizmente, no cinema não se nota!

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Empire – Junho 2011

Psycho (1960)

Posted: 4 de Junho de 2011 in Filmes e Séries

T.P.: PSICO 109 MIN. REALIZAÇÃO: ALFRED HITCHCOCK

A série de TV The Master Of Suspense já assustava o público anos antes de Psico. E este filme teve um orçamento baixo e usou a maior parte da sua equipa. Só custou 800 mil dólares e demorou 30 dias a filmar – sete dos quais passados na infame cena do chuveiro. Uma proeza de montagem, ilusão e violinos a ganir, esta cena dura menos de dois minutos e, contudo, perdurou na memória coletiva. 0 filme é a preto e branco, porque Hitch pensou que seria gore demais a cores. 0 realizador encarava-o como uma piada perversa, um “conto de fadas sobre o horrível”. Muita da magia – que escapou a tantos imitadores – vem do princípio do realizador de que menos é mais. A violência diminui ao invés de aumentar; as nossas emoções, medos e expectativas são tão acordadas que se tornam tão parte da experiência cinemática como o que se passa no ecrã. 0 corrupio do detetive Arbogast (Martin Balsam) pelas escadas acima e abaixo da casa de Bates (Anthony Perkins), por exemplo, está carregado com o nosso temor. Observamos de uma altura que o torna pequeno, exposto mas distante. Só quando o facto é consumado é que vemos o seu rosto a preencher o ecrã, enfatizando a sua surpresa e a nossa, apesar de conhecermos a ameaça.

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